Apesar da luta de
toda a classe de sociólogos, essa é uma disciplina que ainda
não conquistou seu espaço na educação e formação dos jovens
brasileiros. Mesmo acreditando que esse espaço deva ser
conquistado com luta e inteligência, e ainda sabendo que
enquanto não houver consciência de classe essa conquista não
se aproximará, luto para que um dia a inteligência política
possa ser ensinada nas escolas. Parabenizo aos colégios de
vanguarda que acreditaram na importância da consciência que
a sociologia pode abrir na alma de seus alunos.
Observação aos meus alunos: Acreditando em tudo isso, busco
sempre trazer-lhes tal conhecimento e esse espaço é uma
prova disso.
Intermática
Interdisciplinaridade em informática, este é
o real nome da disciplina que visa ensinar a pesquisar e a
publicar os resultados na web.
Quinze anos após a Rio 92, o mundo enfrenta a ameaça do aquecimento
LAURA LOPES
A polêmica sobre o aquecimento global ganhou proporções planetárias nos últimos meses, depois que, em novembro, na 12ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro sobre Mudanças Climáticas, a Agência Internacional de Energia (AIE) previu aumento de 55% das emissões de dióxido de carbono (CO2) até 2030, se os atuais padrões tecnológicos de produção e consumo forem mantidos. Outro documento, produzido pelo governo britânico, calculou que o prejuízo econômico com o aquecimento global chegará a US$ 7 trilhões. E, mais recentemente, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) publicou a primeira parte de seu quarto relatório sobre os impactos do aquecimento no desenvolvimento social e econômico dos países. Numa expectativa otimista, a temperatura média do planeta subirá de 1,8ºC a 4ºC até 2100, o que provocará um aumento no nível dos oceanos de até 59 centímetros, grandes inundações, ondas de calor mais freqüentes e ciclones violentos. Tudo isso significa reduções drásticas na produção agrícola, crises no abastecimento de água, migrações forçadas de populações litorâneas, mudanças nos hábitos diários da sociedade e impacto na biodiversidade do planeta. O mundo entrou em alerta, uma vez que 90% desses fenômenos, segundo os cientistas, decorrem da ação humana.
Essa discussão, na verdade, não tem por base apenas aspectos climáticos, já que envolve principalmente os padrões de produção e consumo da sociedade. Durante quanto tempo a biosfera conseguirá sustentar o atual modelo predatório de desenvolvimento econômico? O homem faz essa pergunta desde 1972, quando houve a Conferência de Estocolmo, a primeira sobre meio ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU). Mas, naquela época, e até pouco tempo atrás, a preocupação era tida apenas como neurose de ambientalistas. "Diziam que adorávamos o tema do fim do mundo", lembra Mário Mantovani, diretor da organização não-governamental (ONG) SOS Mata Atlântica. Na Rio 92, as discussões se aprofundaram, e as nações se comprometeram a trabalhar por um futuro melhor para as próximas gerações. A partir daí, pouca coisa passou da teoria para a prática. Apesar disso, hoje a opinião pública compreende melhor a ligação entre os índices econômicos e socioambientais dos países.
Desdobramentos
No mês de junho de 1992, representantes de mais de 180 nações se encontraram, pela primeira vez após a Guerra Fria, para discutir o meio ambiente. "Isso gerou uma grande expectativa de que entraríamos num mundo cooperativo, predisposto ao diálogo", recorda o professor Wagner Ribeiro, presidente do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam) da Universidade de São Paulo (USP) e que fez parte da delegação brasileira naquele evento.
A campanha de marketing da Rio 92, também chamada de Cúpula da Terra ou Eco 92, baseava-se numa imagem do planeta sustentado por duas mãos, com a seguinte frase: "Em nossas mãos". Isso, segundo o professor, despertou forte apelo popular. Além disso, estiveram presentes as principais lideranças do planeta, como o francês François Mitterrand, o cubano Fidel Castro, o premier inglês John Major e até o pacificador dalai-lama, o que praticamente levou George Bush, pai do atual presidente dos EUA, a participar da reunião. A retórica multilateral, no entanto, não passou do discurso. "Os países foram para o Rio de Janeiro com a posição clara de defender seus interesses nacionais. Isso ficou evidente, por exemplo, quando os Estados Unidos se negaram a assinar a Convenção sobre Diversidade Biológica porque implicaria repassar tecnologia aos países pobres", diz Ribeiro. A situação se repetiu na postura adotada por americanos, japoneses e árabes em relação ao documento sobre mudanças climáticas, por não haver, naquele momento, comprovação científica dos reais impactos do efeito estufa.
Além das duas convenções, a Rio 92 produziu mais três documentos: a Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas, a Declaração do Rio e a Agenda 21. Esta última constitui um roteiro de como os países podem adotar um modelo socioeconômico que leve em conta a conservação dos recursos naturais. Trata-se de um documento de 40 capítulos, sem força legal, mas que traz 2,5 mil recomendações para a implementação de políticas que estimulem a participação ativa de governos, sociedade e empresários na construção de um planeta sustentável. Ali estão pautados assuntos como dinâmica demográfica, crise da habitação, saneamento e poluição urbana, manejo da terra, energia e transportes sustentáveis, transferência de tecnologias, padrões de produção e consumo, reciclagem, combate ao desperdício, minorias, além da erradicação da pobreza. Os 179 países signatários deveriam, a partir de então, criar Agendas 21 nacionais, regionais e locais (ver PB 379). Os resultados, porém, ainda são incipientes. "A Agenda 21, por ser muito genérica, ainda não foi incorporada por todos. Foi um tratado de boas intenções: para as ONGs é um norte, um ideal de vida", comenta Mantovani. Para os governantes, ele não acredita que tenha sido motivo de engajamento.
Continua a seguir...
Escrito por Professor Paquito às 00h43
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Continuação... Texto eco92 15 anos depois
Simultaneamente à Cúpula da Terra, aconteceu um fórum paralelo, que envolveu cerca de 4 mil ONGs nacionais e estrangeiras dos mais variados tipos. Por isso, as reuniões tratavam não apenas de meio ambiente, mas também de como ele está atrelado a problemas socioeconômicos, e ainda da desvalorização das comunidades tradicionais. "Além do grande impacto na mídia, tivemos participação nas decisões tomadas na reunião oficial", conta Rubens Born, membro do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Ribeiro vai mais longe e diz que foi a partir do encontro que a questão ambiental se institucionalizou em escala mundial. "Hoje, grande parte dos países tem ministério do meio ambiente ou uma autoridade nacional competente para essa área."
Desde a realização da Rio 92, certas discussões, até então restritas a determinados grupos, ganharam qualificação. "A presença do dalai-lama promoveu a cultura da paz e até os indígenas, representados pelo cacique Raoni, adquiriram força, mesmo que encarados folcloricamente", comenta Mantovani. E, ao mesmo tempo em que temas ambientais passaram a ser considerados do ponto de vista econômico, os ambientalistas aprenderam a lidar melhor com o posicionamento de governos e empresas. "Não posso impor que todos sejam ambientalistas", afirma o presidente da SOS Mata Atlântica, que confessa entender mais sobre o funcionamento da sociedade hoje do que naquela época. O diálogo entre as partes, tão conflitantes há 15 anos, parece ter melhorado. "Estamos dando alguns passos, mas a dinâmica dos problemas vai numa velocidade muito maior do que nossa capacidade de revertê-la", adverte Born.
Cinco anos após a Cúpula da Terra, pouco do que se discutiu no Rio de Janeiro havia sido colocado em prática. Na sessão especial da Assembléia Geral da ONU, em 1997, que ficou conhecida como Rio+5, os países identificaram as maiores dificuldades quanto à implementação da Agenda 21 e planejaram negociações para os anos seguintes, incluindo um novo encontro em 2002, a Rio+10. Ainda naquele ano, o primeiro passo efetivo em direção à mudança de paradigmas se deu com o Protocolo de Kyoto. Esse documento exigia das nações ricas a redução da emissão dos gases causadores do efeito estufa em 5,2% até 2010, tomando 1990 como base. No fim do ano passado, a ONU anunciou que países como Alemanha, Grã-Bretanha e Lituânia haviam conseguido sensíveis diminuições, mas outros apresentaram um aumento preocupante, caso de Espanha (49%), Portugal (41%), Turquia (72%), Canadá (26,6%) e Estados Unidos (15,8%).
Já o grande tema discutido na Rio+10, que ocorreu em Johannesburgo, na África do Sul, foi a necessidade de aumentar as fontes de energia renovável, proposta defendida pelo Brasil. O assunto, que ainda não fazia parte da Agenda 21, passou por discussões exaustivas, como relatam OswaldoLucon e Suani Coelho, em artigo publicado em 2002 na Revista do Departamento de Geografia, da Universidade de São Paulo (USP). "O resultado, um dos últimos produzidos na conferência, (...) foi considerado no mínimo frustrante pelos ambientalistas e pela imprensa", descrevem os pesquisadores, já que o texto aprovado incluiu "tecnologias por combustíveis fósseis", abrindo espaço para novas fontes de emissão de CO2, e "tecnologias de energias renováveis, hidrelétricas incluídas", estas últimas de alto impacto ambiental. Em compensação, dizem eles, a conscientização sobre a energia "positiva" nunca ganhou tanta força. "Os opositores às metas (...) se isolaram, criando um novo desenho geopolítico mundial." Com o tempo, em decorrência da pressão da opinião pública, até os Estados Unidos passaram a aceitar o fato de que ações para a substituição dos combustíveis fósseis devem constar de qualquer plano político para os próximos anos. Em janeiro, George W. Bush propôs aumentar a produção de combustíveis alternativos, como o etanol, para tentar reduzir o consumo de gasolina em até 20% na próxima década. A principal razão de tal decisão, no entanto, é a perigosa dependência americana do petróleo do Oriente Médio
Apesar de o Brasil contribuir para o aumento da concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera por meio de desmatamento e queimadas, o país desponta como um dos principais atores na ordem ambiental internacional. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a substituição de combustíveis fósseis por renováveis, como o etanol, já alcançou 45% de nossa matriz energética. Cerca de 80% da energia elétrica, por exemplo, é gerada a partir de hidrelétricas – que podem não ser adequadas do ponto de vista da biodiversidade, mas produzem energia limpa. Responsável pela geração de 35% de todo o etanol do planeta, o Brasil exporta biodiesel e implementou projetos que já evitaram a emissão de 25 milhões de toneladas de CO2 nos últimos sete anos. Além dessas políticas, existe o fato de o país ter sediado a Cúpula da Terra e ter sido o único a participar da Comissão de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da ONU desde seu início, em 1993.
De acordo com o MMA, a biodiversidade do planeta pode alcançar até 100 milhões de espécies, das quais apenas 1,7 milhão são conhecidas. O Brasil se destaca como o país com a maior diversidade biológica, abrigando de 15% a 20% do número total de espécies. Se levarmos em conta que o aproveitamento econômico desses recursos se traduz em algo estimado por volta de US$ 33 trilhões por ano – quase o dobro do PIB mundial –, é fácil concluir que nosso "poderio biológico" pode ter uma importância fundamental na implementação de políticas globais de preservação. Com o intuito de promover parcerias entre o poder público e a sociedade civil para a conservação dessa diversidade, sua utilização sustentável e a divisão justa dos lucros obtidos, o governo criou o Programa Nacional da Diversidade Biológica (Pronabio). "Nosso principal problema em relação aos gases poluentes é o desmatamento, o que é uma vantagem para o Brasil. É mais fácil contê-lo do que fazer a população parar de andar de carro ou criar modelos alternativos de transporte", afirma Ribeiro.
De acordo com Sérgio Bueno da Fonseca, coordenador da Agenda 21 Brasileira, o MMA tem por volta de 700 processos de Agenda 21 locais registrados, dos quais apenas cerca de 200 estão em funcionamento. "Sabemos que muitos foram iniciados, mas não tiveram continuidade", lamenta. Além de incentivar novas agendas regionais e locais, o programa pretende fomentar as iniciativas estagnadas. Para isso, depende do esforço de todos os setores da sociedade. Um projeto só é aceito como Agenda 21 se tiver um território de ação definido, envolvimento entre o poder público e a comunidade, um fórum de discussão permanente e horizontal com atores da sociedade civil, ONGs, empresas e governo, e por fim um plano estratégico, que deve seguir um modelo de gestão compartilhada do espaço. "Entre 2003 e 2006, movimentamos cerca de R$ 18 milhões na indução de processos", afirma o coordenador. Antes disso, o governo de Fernando Henrique Cardoso havia investido perto de R$ 6 milhões – vale lembrar que a Agenda 21 Brasileira foi criada a partir de debates realizados entre 1996 e 2002, modificada em 2003 e, então, colocada em prática.
As ações brasileiras são diferentes, por exemplo, das dos países europeus, que trabalham a Agenda 21 como estratégia de seus planos de governo. Aqui, ela faz parte do Plano Plurianual, o PPA 2004-2007, o que significa não ser apenas uma bandeira da atual administração, mas um princípio que norteia a política pública do país. "Ela não pode ser analisada como plano de governo. Nos locais em que a metodologia de implementação foi focada na atuação do poder público, como Santos e Angra dos Reis, por exemplo, a sociedade não foi protagonista e, por isso, houve problemas para sua continuidade", comenta Fonseca.
Apesar de algumas experiências positivas, o Brasil ainda está longe de atingir a maioria dos objetivos da Agenda 21. O setor empresarial, por exemplo, poderia participar mais. "Há empresas que usam a sustentabilidade apenas como marketing e demagogia", diz Born. Já Fonseca levanta outra crítica: "Poucos empresários se importam em mudar o padrão de produção, seja em termos de tecnologia, de matriz energética, de processos produtivos ou mesmo de modelos de gestão". A idéia de que toda companhia que adota uma boa gestão ambiental consegue produzir mais e com menos resíduos ainda não é consensual. Muitos empresários pensam que esse investimento diminui a competitividade de seu produto ou serviço. "Eles não entenderam que a equação mudou", diz Haroldo Mattos Lemos, que foi assessor do secretário-geral da Cúpula da Terra, Maurice Strong, e dirigiu o grupo brasileiro responsável pela criação da norma ISO 14000 – que diz respeito à certificação ambiental das empresas. "Se um empresário pede empréstimo a um banco, tem de responder a um questionário ambiental que conta pontos para a decisão final do credor", afirma Lemos. Além disso, quem deseja exportar precisa de algum selo da série 14000. "Todas as normas são voluntárias, mas quase obrigatórias para quem deseja atuar no comércio internacional. O próprio mercado obrigou à certificação", conclui. Segundo relatório do ano passado da Convenção sobre Diversidade Biológica, "à medida que as expectativas da sociedade e os requerimentos legais favorecem cada vez mais a biodiversidade, as companhias que possuem bons históricos de biodiversidade obterão uma vantagem significativa sobre aquelas que não os têm".
Se para alguns a discussão sobre desenvolvimento sustentável não passa de demagogia e para outros é extremamente relevante, há pelo menos um consenso: desde a Rio 92, a sociedade tenta garantir um bom nível de qualidade de vida para seus filhos e netos e passou a dar maior importância à preservação da biodiversidade. "No mínimo as pessoas estão preocupadas com as gerações futuras", diz Ribeiro. A Rio 92 foi, assim, um divisor de águas ao propor novos olhares sobre os problemas ambientais. Isso vem ajudando a sociedade a transformar sua cultura, seu comportamento e seus padrões de consumo, pressionando empresas e governos a criar políticas favoráveis à proteção da biodiversidade e ao incremento do desenvolvimento sustentável. Se se trata apenas de conversa, ainda não é possível saber, mas todos já sentem na pele que a temperatura está subindo.
• 1,1 bilhão de habitantes de países em desenvolvimento não têm acesso a água potável. • No mundo, morrem mais crianças por falta de água potável e instalações sanitárias do que por qualquer outra causa. • Em 2025, 14 nações poderão sofrer de efetiva escassez de recursos hídricos. • As alterações climáticas poderão elevar de 15% a 26% a subnutrição no mundo. • A década de 1990 foi a mais quente desde o século 14. • A demanda global por recursos naturais é 20% maior que a capacidade da Terra de renová-los. • No ano de 2005, houve as maiores perdas já registradas devido a desastres naturais climáticos (inundações na Europa central, tsunami e furacão Katrina). Os prejuízos passaram dos US$ 200 bilhões. • Aproximadamente 13 milhões de hectares são desmatados a cada ano, área equivalente à da Grécia. • De 1970 a 2000, a população de espécies de água doce diminuiu 50%. A de marinhas e terrestres, 30%. • A biosfera leva 1 ano e 3 meses para renovar o que a humanidade usa em 1 ano. • Estados Unidos, membros da União Européia, China, Índia e Japão são responsáveis por dois terços do consumo de recursos naturais.
Fonte: Relatório do Desenvolvimento Humano 2006 da ONU e Panorama Global da Biodiversidade 2, produzido em 2006 pela Convenção sobre Diversidade Biológica
Escrito por Professor Paquito às 00h38
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No ártico, o aquecimento global já coloca em perigo a fauna
selvagem que depende do gelo para sobreviver
Em uma gélida tarde de maio, escorreguei por uma fenda na banquisa e mergulhei no oceano Ártico. O impacto da água gelada em minha cabeça protegida por um capuz de neoprene foi tão forte que pensei que iria vomitar. Eu estava ao sul do estreito Lancaster, na ponta setentrional da ilha Baffin, Ártico canadense. A temperatura da água era de 1,6 grau negativo, o mais frio a que chega a água marinha antes de congelar.
Assim que minha respiração se acalmou, e a náusea se dissipou, mergulhei na escuridão. Então olhei para cima, na direção do gelo, esperando ter uma visão costumeira nesse início de estação - uma superfície azulada, sem vida. Mas vi outra coisa.
O gelo estava com manchas verdes e pardas. E se movia. Pisquei e conferi a profundidade. Queria me certificar de que não sofria de vertigem, algo fatal para alguém que mergulha sozinho sob um teto de gelo com quase 1 metro de espessura. Foi aí que me dei conta: aquilo não era gelo - na verdade, eu estava diante de uma densa nuvem de anfípodes, minúsculos crustáceos parecidos com o camarão, que se alimentam do fitoplâncton que prolifera na banquisa durante a primavera, estação em que o Sol retorna ao Ártico. Eu estava diante do marco zero de todo um imenso ecossistema, a combinação de gelo e formas de vida minúsculas da qual dependem todos os animais maiores - ursos-brancos, baleias e focas.
Vivi toda a vida no Ártico canadense e passei a maior parte da minha carreira fotografando a linha divisória entre o gelo e o mar. Antes, o gelo marinho parecia invulnerável: grande parte dele resistia até mesmo aos meses mais quentes. O gelo não é só paisagem. Ele faz parte da biologia de toda a criatura que vive na imensidão congelada. Durante o ano todo, sobretudo na primavera, ursos-brancos perambulam e caçam no gelo. Focas descansam e dão à luz. Enormes baleias-francas chegam para devorar crustáceos. Depois baleias-brancas e narvais se juntam às francas para sair em busca do bacalhau-do-ártico, que usa canais de água finos como um dedo para incubar suas larvas. Simplesmente não dá para imaginar um Ártico sem gelo.
Porém, mal se passaram dez anos e tudo mudou. Os pólos estão derretendo com rapidez alarmante. Se o aquecimento global prosseguir no ritmo atual, a possibilidade de um Ártico sem gelo torna-se cada vez mais plausível. É possível que o estreito Lancaster, um dos mais fecundos hábitats marinhos do mundo e a porção leste da famosa Passagem do Noroeste, protagonize novo capítulo na história marítima: o estreito e as áreas vizinhas podem ver um aumento significativo no tráfego de navios, atraindo grandes cargueiros e petroleiros para uma região pela qual raramente navegavam. Alguns cientistas já afirmam que o Ártico vai perder todo o gelo durante o verão, condenando espécies, como o urso-branco, à extinção em menos de um século.
As fotos a seguir testemunham o meu amor pelo gelo, e pelo mundo branco-azulado que dele depende. As imagens trazem uma mensagem, algo que entendi com súbita clareza naquele dia de maio em que vi os anfípodes se movendo pelo gelo e ouvi os estalidos e guinchos das baleias que se aproximavam: se as temperaturas globais continuarem a subir, é provável que o gelo desapareça. E um Ártico sem gelo seria como um jardim sem terra.
Por: Paul Nicklen | Fotos: Paul Nicklen Matéria publicada na revista National Geographic Ed. 87 - 01/06/2007
Escrito por Professor Paquito às 00h31
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Evolução da evolução
Uma idéia simples resolveu o mais complexo dos mistérios: o sentido da vida. Agora cientistas usam Darwin para desvendar mistérios maiores: da mente à origem do Universo. E o que eles encontraram é assustador
E Charles Darwin criou o homem. Ou, pelo menos, inventou o que hoje nós conhecemos como homem. Antes dele, éramos o centro do Universo, a obra sublime da criação. Agora somos apenas mais uma entre milhões e milhões de espécies, um bicho de origem nada especial. Nada mesmo: a Teoria da Evolução deixou claro que todas as formas de vida que já pisaram na Terra são filhas da mesma tataravó - a história de como essa senhora, uma simples molécula, virou tudo o que existe hoje você vê no infográfico que está na Super 240, nas bancas.
Assim, mostrando como a vida evolui, Darwin dispensou Deus do cargo de criador. E agora seus seguidores do século 21 querem fazer algo ainda mais chocante: mostrar que não passamos de escravos a serviço dos verdadeiros donos deste planeta.
Ah, tem mais: a teoria de Darwin pode ter desvendado o segredo dos buracos negros. E mostrado não só que deve haver vida fora da Terra mas em universos paralelos também. Quer saber como? Então vamos embarcar no velho Beagle. Primeira escala: o inferno.
O solo repleto de lava negra estava coberto de lagartos e tartarugas monstruosas. Caranguejos escarlates corriam por todos os lados. O calor era tão forte que atravessava as botas e queimava os pés. Cercado por uma vegetação composta de cactos de 3 metros de altura, girassóis do tamanho de árvores e arbustos desfolhados, Darwin escrevia em seu diário: "A superfície seca e crestada, aquecida pelo sol do meio-dia, deixava o ar abafado, quente como em um forno. Tínhamos a impressão de que até os arbustos cheiravam mal".
"Esse lugar é o inferno!", dizia Robert FitzRoy, capitão do navio de pesquisas Beagle, que levara o jovem Charles Darwin às Galápagos, um arquipélago no oceano Pacífico. FitzRoy queria um cavalheiro a bordo para lhe fazer companhia. E o abonado Darwin, de 22 anos, acabou escolhido, principalmente porque estava estudando para virar padre - mas também porque FitzRoy gostou do formato do nariz dele, que "sinalizava profundidade de caráter".
O capitão tinha dois objetivos para a viagem. Um a serviço do Império Britânico: mapear a costa da Patagônia. Outro, pessoal: encontrar provas científicas de que o mundo tinha sido criado de acordo com o que está na Bíblia. Mal sabia ele que o assassino de Deus estava a bordo.
A paisagem infernal das Galápagos, onde aportaram em 15 de setembro de 1835, após quase 4 anos de expedição, era um paraíso para Darwin. Ele pintou e bordou com tudo o que pôde naquele lugar perdido no tempo. Pegou carona nas tartarugas ("Era difícil manter o equilíbrio."), tirou onda com as iguanas ("Ela ficou olhando para mim como se quisesse dizer: Por que você puxou a minha cauda?") e encheu o bucho de iguarias exóticas ("Tatu é um prato excelente quando assado em sua carapaça."). De quebra tirou de lá a inspiração para a idéia mais importante e assustadora da história da ciência.
O gatilho para esse pensamento veio quando ele percebeu diferenças instigantes entre os bicos de uma espécie de passarinho das Galápagos, os tentilhões. Em uma ilha eles tinham bicos grossos, bons para quebrar nozes. Em outra, longos e finos, ideais para arranjar comida em frestas. Darwin imaginou que aquelas aves deviam ter se adaptado de algum jeito. Por mágica? Não: por um processo de seleção que levou gerações. Em ambas as ilhas teriam nascido pássaros de bico fino e de bico grosso. Naquela onde havia nozes para comer, só estes últimos teriam sobrevivido. A partir desse raciocínio simples, nascia um monstro.
continua...
Escrito por Professor Paquito às 00h24
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Darwin continuação...
De volta à Inglaterra, aos 27 anos, Darwin estudou a fundo as 5 436 carcaças, peles e ossos que colecionara na viagem do Beagle e concluiu que TODAS as espécies do mundo tinham passado por processos de adaptação equivalentes ao dos tentilhões. Bem devagarzinho.
Imagine as asas dos pássaros, por exemplo. Pela lógica de Darwin, elas não nasceram prontas. Em algum ninho dos ancestrais dos pássaros, que não voavam, surgiu um mutante, um "patinho feio", com uma pequena membrana que lhe permitia planar de vez em quando. Essa característica deu-lhe alguma vantagem na luta pela sobrevivência. E o bicho deixou mais descendentes que seus irmãos. A prole dele, que carregava a mesma mutação, também fez mais filhos, e por aí foi. Com o tempo, novos mutantes, novos patinhos feios, foram nascendo com asas cada vez melhores. E no fim das contas um novo tipo de animal se consolidava no planeta: os pássaros. Tudo às custas da extinção de outros bichos parecidos, só que menos adaptados à dureza da vida.
"A produção de animais superiores é conseqüência da natureza, da fome e da morte", escreveu Darwin. Nós mesmos, imaginou o inglês, não podíamos estar de fora. A diferença é que a evolução para a forma que temos hoje foi a partir de "macacos" (na verdade, animais parecidos com macacos) que foram desenvolvendo cérebros cada vez maiores, do mesmo jeito que os pássaros fizeram com as asas. E esses "macacos" vieram de outros bichos... Hoje sabemos de quem: de peixes mutantes que nasceram com a capacidade de respirar fora da água - nossos pulmões, por exemplo, vieram direto desses animais, que viviam em pântanos lamacentos. Aí não tinha mais jeito. Darwin já sabia que não éramos "a imagem e semelhança de Deus".
Agora responda: o que você faria ao perceber que na sua cabeça existe uma idéia que pode abalar as crenças mais profundas de quase toda a humanidade? Darwin sentiu o peso, e ficou aterrorizado. Demorou mais de 30 anos para publicar a idéia em seu livro A Origem das Espécies, de 1859. E ainda assim o livro só saiu quando ele leu um artigo de Alfred Russel Wallace, um biólogo inglês.
O texto continha uma teoria bem similar à da seleção natural, porém menos abrangente. Com medo de ser passado para trás, Darwin autorizou seu amigo Thomas Huxley a expor a Teoria da Evolução ao mundo científico, pois ele mesmo não teve coragem. "Foi como confessar um assassinato", escreveu. Por isso mesmo a teoria demorou para virar unanimidade entre os acadêmicos. Ela só foi aceita para valer quando outros cientistas, já no século 20, a refinaram com base na genética - a forma como os pais transmitem suas características aos filhos.
Esse renascimento deu um gás novo à Teoria da Evolução. E na década de 1930 começava uma nova revolução: o neodarwinismo. Com ele, uma idéia aterradora começou a sair do forno: a de que você não passa de um robô. Era a Teoria do Gene Egoísta, que ganhou corpo nos anos 70. E que afirma que, basicamente, somos sua máquina de sobrevivência dos genes (mais detalhes na versão impressa da Super de junho, que está nas bancas).
Escrito por Professor Paquito às 00h23
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ONDA DE CALOR MATA PELO MENOS 29 PESSOAS NO PAQUISTÃO
EFE
Lahore (Paquistão) - Pelo menos 29 pessoas morreram no Paquistão em conseqüência da onda de calor que atinge nos últimos dias o país, com máxima de 52°C em alguns pontos, informou uma fonte oficial.
As mortes ocorreram na região oriental de Punjab, que faz fronteira com a Índia, onde outras 21 pessoas morreram por causa do calor.
No centro de Punjab, a temperatura chegou aos 48°C, segundo um oficial paquistanês do ministério da Saúde que informou à emissora de TV "Geo" a morte de 29 pessoas nos últimos dois dias.
Pelo menos seis desses falecimentos aconteceram na capital da província, Lahore, onde dezenas de pessoas foram admitidas em vários hospitais.
O serviço de meteorologia paquistanês previu para esta semana um tempo seco e cálido, o que também ocorrerá em alguns pontos da Índia, com máximas de aproximadamente 45°C.
As ondas de calor são freqüentes no subcontinente indiano nos meses de maio e junho, que precedem a chegada da monção.
No ano passado morreram 80 pessoas devido às altas temperaturas no Paquistão, enquanto o forte calor de 2003 causou mais de 230 mortes.
Saiu em todos jornais no dia 12/06
Escrito por Professor Paquito às 00h12
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A CARTA DE CHICO MENDES Documentos enviados por Chico: Vamos a luta Carta ao Juiz Castello Branco Mauro Sposito
"Exmo. Dr. Juiz da Comarca de Xapuri. O presente documento não se dirige à sua pessoa. Este documento é confidencial. Entreguei cópias à Secretaria de Segurança. Este documento tem como objetivo expressar a minha preocupação com o rumo das coisas. Na qualidade de representante de classe, missão esta que abracei há mais de 15 anos, nesta longa caminhada tenho enfrentado com coragem e firmeza muitas perseguições, não só dos assassinos dos trabalhadores, mas também da Justiça e de todas as autoridades da área de segurança do Estado, inclusive até relatórios secretos dos centros de informação me acusam de agitador. Pois bem, o senhor sabe por que estou me dirigindo a V. Senhoria? Porque quero justiça. Porque quero que as coisas fiquem claras. Estou me dirigindo a V. Senhoria porque, apesar da acusação de agitador, nunca uma gota de sangue foi derramada por minha responsabilidade. Entretanto, o sangue dos trabalhadores está sendo derramado impunemente. Mas não é só isso. Mais sangue está previsto a ser derramado. E mais uma vez poderá ser sangue de pessoas inocentes e indefesas. Existe uma ordem de prisão contra Darli e Alvarino, todos assassinos frios e perversos. Na tentativa de buscar a paz e a tranqüilidade para a nossa comunidade, fiz todos os esforços de contribuir com a Justiça. Com a ajuda de outras pessoas, consegui uma ordem de prisão, cumprindo dessa forma com o meu papel. E agora? Qual a justificativa? Os bandidos foram alertados? Sim, foram avisados. Quem avisou? Este é o grande dilema. Querem mais uma contribuição? Segundo informações fidedignas, Darli e Alvarino estão em Brasiléia em casa de amigos, muito tranqüilos. Diariamente são visitados por seus filhos e jagunços. São vistos na cidade e nas fazendas de seus amigos que também são bandidos. Mas não é só isso que está acontecendo. Há mais de dez dias, estão sendo realizadas na região de Brasiléia reuniões secretas, onde se planejam o assassinato de Chico Mendes e Osmarino Amâncio. Da reunião participam como coordenadores Alvarino e Darli. No apoio estão Crispim, Coronel Chicão, Luisinho Assem, Zezinho Assem, Antônio Pequeno, José Benvindo, Benedito Rosa e mais outra pessoa conhecida popularmente como "Querido". Na base de apoio, a fonte informa que está o capitão "Tirson" e o Dr. Heitor Macedo, juiz de Brasiléia. Segundo informações tem mais gente na jogada: Gaston Mota, José Elias e mais alguém da Polícia Civil que não é pequeno. Não se admite mais que alguém esteja ganhando gorjetas pomposas para dar cobertura a bandidos e enquanto isso o sangue dos trabalhadores continua sendo derramado na forma mais brutal e desumana. E o que é pior, tudo isso acontecendo sem que nenhuma providência seja tomada. Será que já não basta? Meu senhor, só estou agora tentando ajudá-lo a fazer justiça, porque tenho ódio à injustiça e por esta razão é que vou até ao fim desta vez, já fui muito humilhado, caluniado, durante muito tempo, mas agora, estou disposto e não estou mais sozinho. Com a minha humildade, consegui conquistar apoio importante de vários segmentos da sociedade nacional e internacional e agora vou por em prática em favor da paz e da justiça e alguém não vai gostar. Se o senhor está do nosso lado, do lado da Justiça, então, é agora que precisamos do seu apoio. Posso ser até assassinado ou alguns dos meus companheiros, pois os planos estão prontos. Só um detalhe: o senhor será considerado um dos responsáveis e na hora em que isso acontecer, muita gente saberá. O senhor gostaria de ser considerado um assassino? Prezado senhor, vou manter sigilo deste documento por quinze dias, se não houver algum interesse de quem vai recebê-lo, irei a público denunciá-lo. Enfim, mais uma vez tentei colaborar. Acredito tendo fornecido todas as pistas possíveis não preciso esclarecer mais nada.
OBS: Chico Mendes foi assassinado no dia 22/12/1988 e ninguém tomou providencias para evitar isso! Dica de vídeo sobre o assunto: Amazônia em Chamas - John Frankenheimer