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Apesar da luta de toda a classe de sociólogos, essa é uma disciplina que ainda não conquistou seu espaço na educação e formação dos jovens brasileiros. Mesmo acreditando que esse espaço deva ser conquistado com luta e inteligência, e ainda sabendo que enquanto não houver consciência de classe essa conquista não se aproximará, luto para que um dia a inteligência política possa ser ensinada nas escolas. Parabenizo aos colégios de vanguarda que acreditaram na importância da consciência que a sociologia pode abrir na alma de seus alunos.

Observação aos meus alunos: Acreditando em tudo isso, busco sempre trazer-lhes tal conhecimento e esse espaço é uma prova disso.


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Créditos

12/08/2008 - 00h54

Fidel Castro acusa Bush de instigar aventura militar da Geórgia

 

da Efe, em Havana
da Folha Online

 

O ex-líder de Cuba Fidel Castro acusou nesta segunda-feira o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de ter instigado o governante da Geórgia, Mikhail Saakashvili, a lançar o que qualificou como uma aventura militar na Ossétia do Sul.

Segundo Fidel, Bush "prometeu seu apoio ao presidente Saakashvili para a entrada da Geórgia na Otan, o que equivale a um punhal afiado que se tenta cravar no coração da Rússia". "A Geórgia jamais teria lançado suas forças armadas contra a capital da República Autônoma da Ossétia do Sul (...) sem a anuência prévia de Bush", afirma.

Em artigo publicado no site oficial Cuba Debate, o ex-líder da ilha diz que "muitos Estados europeus que pertencem a essa organização militar se preocupam seriamente com a manipulação irresponsável do tema das nacionalidades, prenhe de conflitos potenciais".

"A Iugoslávia foi dissolvida por essa via", afirmou.

Segundo Fidel, Saakashvili, por sua própria conta, "jamais teria se lançado à aventura de enviar o Exército georgiano à Ossétia do Sul, onde se chocaria com as tropas russas postadas lá como força de paz".

"Não se pode brincar com a guerra nuclear, nem premiar a provisão de carne de canhão para o mercado. Que necessidade havia de acender o pavio do Cáucaso? A Rússia continua sendo uma poderosa potência nuclear", lembra o artigo.

 

Conflito no Cáucaso

 

A crise começou na quinta-feira (7), quando a Geórgia, aliado próximo de Washington, enviou tropas para retomar a Ossétia do Sul, uma região aliada da Rússia que declarou sua independência da Geórgia em 1992. Moscou, que apóia a secessão do pequeno território, respondeu enviando tropas ao país vizinho.

A Ossétia do Sul é considerada uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural na fronteira russa. A Cruz Vermelha relata que mais de 40 mil refugiados já deixaram a região, enquanto 2.000 pessoas morreram no conflito, segundo dados do governo de Moscou.

A Rússia continuou avançando para além dos territórios separatistas em direção à Geórgia, no quinto dia do combate. Ontem, o presidente georgiano assinou uma promessa de cessar-fogo, que foi ignorada pelo país vizinho.

Além da Ossétia do Sul, a Rússia também abriu uma segunda frente para proteger a Abkházia, no oeste da Geórgia. Um oficial do Ministério da Defesa russo disse que o objetivo é "prevenir ataques das unidades militares georgianas contra a Ossétia do Sul [e a Abkházia]".

Fonte: folha-online



 Escrito por Professor Paquito às 00h06
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Ingrid Betancourt Libertada!!!
Felicidades a ela!!!
Mas quem são as FARC realmente?


“Levantar-se em armas era a única maneira de sobreviver”

por Rodrigo Aranha

“Eu tive um irmão
que ia pelos montes
enquanto eu dormia.
Amei-o do meu jeito,
tomei sua voz
livre como a água”

Julio Cortázar, 1967

“Morreu um revolucionário! Viva a revolução!” Estas palavras rodaram o mundo quando chegou a confirmação da morte do líder guerrilheiro, Manuel “Tirofijo” Marulanda Vélez, das FARC.

Registrado como Pedro Antonio Marín em 12 de maio de 1930, a luta revolucionária o levou a adotar o nome de guerra, Manuel Marulanda Vélez, em homenagem ao pedreiro e fundador do Partido Comunista Colombiano que se destacou na luta sindical, morto e torturado nos porões do serviço secreto da cidade de Medellín, 1951.

A vida deste camponês retrata a história de uma Colômbia que busca paz. Consolidada a independência pelo libertador Simón Bolívar no início do século 18, a disputa entre liberais e conservadores deflagrou o país várias vezes. A família de Marulanda era liberal e seu avô serviu na sangrenta Guerra dos Mil dias, entre 1899 e 1902. Sua história familiar é igual a tantas outras, como a dos Buendia, imortalizadas nas páginas do livro Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez.

Em 1948, o país vivia um clima tenso que explodiu com o assassinato em abril do líder liberal Jorge Eliécer Gaitán, referência das classes populares. O episódio ficou conhecido como “Bogotazo” que cobrou numerosas vítimas na capital colombiana e desencadeou uma feroz persecução a liberais e simpatizantes que se estendeu por toda Colômbia. No campo, o exército invadia povoados massacrando a sangue-frio qualquer suspeito de ter ligações com o Partido Liberal. Aqueles que fugiam, partiam de cidade em cidade escapando da fúria conservadora. Até que um dia vários camponeses se integram à guerrilha organizada pelos liberais, junto deles estava o jovem Marulanda, aos dezenove anos. “Levantar-se em armas era a única maneira de sobreviver”, lhe disse uma vez ao escritor colombiano Arturo Alape, autor de sua única biografia.

Quando os liberais decidem depor armas com o derrocamento do presidente conservador Laureano Gómez pelo general Gustavo Rojas Pinilla em 1953, Marulanda e seus companheiros resolvem manter as armas e instalar-se no município de Marquetalia ao sul do país. Nessa época, um velho amigo o batizou para sempre: “você é um tirofijo, onde põe o olho, põe a bala”.

O presidente conservador Guillermo León Valencia, em 1964, cansado das petições de reforma agrária e da intransigência da “República Independente de Marquetalia”, decide mandar um exército de 5 mil soldados para submeter de uma boa vez a Marulanda e seus homens. Nem imaginava que com este ato faria nascer a maior e mais antiga guerrilha de todos os tempos, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

Quebrando cercos militares e dando certeiros golpes, as FARC deixaram de ser um grupo de 40 guerrilheiros para formar um exército popular de 20 mil homens armados, dos quais 60 por cento são de origem campesina e um terço são mulheres em posição de comando.

“A guerra não é o melhor para os povos. A guerra é imposta aos povos pelas castas dominantes, as cúpulas militares, as oligarquias, os monopólios, lhe impõem a guerra aos povos para submetê-los”, declarou ao jornalista Luis Gonzalez, do jornal El Tiempo, em 2001. Era um homem de poucas, mas certeiras palavras. Os olhos pequenos mostravam a origem indígena. Era amante dos tangos de Carlos Gardel e Julio Sosa. Apesar de baixo e franzino, Marulanda era o homem mais temido pelos soldados que entravam na selva colombiana.

Corria o ano de 1984, as FARC e o então presidente Belisario Betancur assinaram um cessar fogo e surgiu a proposta de desmobilização dos guerrilheiros. Alguns viram a possibilidade de fazer política de maneira legalizada, outros, como Marulanda, desconfiaram. Conformou-se assim a União Patriótica com candidatos para as eleições municipais, estaduais e nacionais. No entanto, os reacionários não estavam dispostos a ceder. Fazendeiros e a classe política, com seus esquadrões da morte, assassinaram mais de 3 mil militantes, entre deputados, prefeitos e dirigentes, aniquilando o projeto político da guerrilha. A partir dessa experiência, o secretariado das FARC constituiu no ano 2000 o Movimento Bolivariano da Nova Colômbia, organização clandestina que atua nas pequenas cidades do interior e nos grandes centros urbanos. Como instância maior de coordenação política nasce também, na mesma época, o Partido Comunista Clandestino.

Desde 1964, Marulanda iludiu pelo menos sete importantes ofensivas militares financiadas por mais de 7 bilhões de dólares pelo estado norte-americano, 250 mil soldados colombianos treinados por especialistas ianques e 35 mil paramilitares. Foi declarado morto inúmeras vezes por governos sedentos em apresentar vitória perante o povo colombiano e seu sócio americano. Numa de suas tantas mortes, em 1951, a imprensa chegou a noticiar o enterro com fotos e testemunhas.

O Plano Colômbia, preparado por Bill Clinton e aprovado pelo Congresso norte-americano no ano 2000, colocou bilhões de dólares, assessores militares, armamento de última geração e gerou um banho de sangue. Desde o primeiro mandato do atual presidente, Álvaro Uribe, em 2002, até hoje, foram assassinados mais de 15 mil pessoas entre camponeses, sindicalistas, trabalhadores, jornalistas, militantes de direitos humanos, entre outros.

A mídia em geral, interessou-se em atacar as FARC como “narco-guerrilhas”, propondo ligações com os poderosos cartéis do tráfico de droga, que assolam o país desde a década dos anos 80. Um discurso que teve efeito inclusive em organizações de esquerda que preferem não se pronunciar. “Nem cultivamos, nem colhemos, nem comercializamos a coca. O problema é muito mais profundo e as suas origens não desejam chegar os governantes. É a pobreza de toda esta zona e de outras onde o agricultor se deu conta de que as plantações tradicionais apenas alcançavam para pagar seus custos; daí a procura de uma via para sobreviver e a encontraram na droga”, sentencia Marulanda, conhecedor da problemática de seu país.

Passaram-se 17 presidentes sonhando capturar e posar ao lado de seu corpo inerte, como caçador e presa. Todos, todos eles, ficaram com o gosto amargo. Morreu de um ataque cardíaco nos braços da companheira Sandra, deixando sete filhos. Hoje, Álvaro Uribe colocou como recompensa 2,5 milhões de dólares para quem revelar o lugar onde está enterrado. Tem a intenção de mostrar um troféu de guerra e falsificar o motivo da morte, para apresentá-la como conseqüência de bombardeios feitos pelas forças armadas e assim considerar-se executores da morte de Marulanda.

Tirofijo não era homem para ser citado por nostálgicos intelectuais de esquerda. Também não se preocupou em escrever grandiloqüentes manifestos para progressistas carentes de ídolos. Dedicou sua vida aos oprimidos do campo, treinou os cansados das humilhações, escutou cada problema e cada reivindicação de camponeses como ele.

“Mantenho meus sonhos de ver uma Colômbia nova, onde os colombianos se sintam seguros, com emprego, educação, saúde, bem-estar, onde se termine com as injustiças que nos obrigaram a tomar o caminho das armas. Estamos convencidos de que a hora chegará algum dia”, disse Marulanda em sua última entrevista, perto dos 80 anos.

A morte deste revolucionário, que está à altura de Ernesto Che Guevara e Fidel Castro, não terá o rosto estampado em camisetas de jovens de classe média. Mas com certeza, estará presente na memória de milhões de colombianos e latino-americanos como um exemplo de entrega na luta pela segunda e definitiva independência de nosso continente.

Rodrigo Aranha é jornalista



 Escrito por Professor Paquito às 23h37
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Agora já era, Marina Silva fora

do governo, é Destruição certa

 na Amazônia... Os Madeireiros e

latifundiários festejam e pelo

 visto vão varar a noite, quem

sabe ja derrubando a mata

 para cultivar riquezas

pessoais despresíveis para

 humanidade!

Dêmos Vivas a esses

Filhos das putas!

 



 Escrito por Professor Paquito às 23h59
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Desmatamento na Amazônia...

Vejam essas imagens!

Assustadoras!



 Escrito por Professor Paquito às 10h32
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Segue um texto pedido pelo meum amigo

 

Qual autonomia para os curdos?

 

Expulsos de suas regiões tradicionais pela política de arabização? do Ba?ath ao longo das últimas décadas, os curdos foram beneficiados pela guerra que derrubou Saddam Hussein e agora definem o modelo de autonomia que irão pleitear

Michel Verrier

 

Formou-se um movimento pelo plebiscito, cuja, assinada maciçamente, reivindica o direito dos curdos à autodeterminação

Libertado logo após a guerra do Golfo em 1991, o Curdistão iraquiano viveu a guerra de 2003 afastado do resto do país. Por isso, de abril a dezembro, qualquer viajante podia ir da fronteira iraniana à fronteira turca, passando por Suleymanieh e Erbil, sem praticamente cruzar com um soldado norte-americano. As primeiras patrulhas só eram encontradas em Kirkuk e Mossul, as duas grandes cidades do norte do Iraque, libertadas nos dias 10 e 11 de abril de 2003 pelos peshmergas (guerrilheiros). Imediatamente, aliás, em Chamchamal, uma aldeia situada no meio do caminho entre Suleymanieh e Kirkuk, foram suspensos os controles que barravam, há dez anos, o acesso dos curdos ao resto do Iraque e o acesso dos iraquianos às montanhas curdas.

Chamchamal é dominada pelas colinas onde o exército iraquiano estava acampado desde de 1991. “A gente vivia com medo, os soldados atiravam em nós regularmente. Agora acabou”, rejubila-se Salah Hussein. Em abril, as ruas estavam desertas; no fim de novembro, embaixo de sol, crianças desciam correndo de bicicleta as encostas.

“A guerra beneficiou os curdos. Nós escapamos da política de extermínio do Ba’ath. Nunca conheceremos coisa pior”, garante Salah Ismail, comerciante de produtos domésticos no mercado apinhado como uma colméia. Ele gostaria, agora, de voltar para “casa”, em Kirkuk. Inúmeras famílias de Chamchamal originárias da capital do petróleo do norte foram expulsas pela política de “arabização” do Ba’ath ao longo das últimas décadas. Mas, por enquanto, “a situação não é segura ali”.

 

Particularismo identitário

Aqui, a segurança não parece ser a preocupação principal. Há 12 anos, os peshmergas das milícias da União Patriótica do Curdistão (UPK) e do Partido Democrático do Curdistão (PDK) controlam a região e “a população colabora; assim que se percebe algo estranho, avisa-se a polícia”. Até o dia 1° de fevereiro, quase não se temia a ocorrência de atentados. O duplo atentado suicida devastador que matou mais de 100 pessoas em Erbil, por ocasião da festa da Aid, abalou essa confiança, é claro1 . Contudo, sentido como uma agressão externa, fortaleceu, ao mesmo tempo, o particularismo identitário da região.

O realismo político preconizado pelos chefes curdos Talabani e Barzani segura seus partidários do Curdistão iraquiano independente

Em Suleymanieh, capital da região controlada pela UPK de Jalal Talabani, a queda de Saddam Hussein reavivou o nacionalismo curdo. Naturalmente, afirma-se aqui que se sentem “mais próximos de um curdo da Turquia ou do Irã do que de um árabe de Bagdá”. A política de aliança privilegiada, implantada há anos por Talabani com o partido xiita do finado aiatolá Mohamed al-Hakim, a Assembléia Suprema da Revolução Islâmica no Iraque (Asrii), provoca ceticismo em muitos de seus governados. “Os árabes são perigosos para os outros, para as ‘minorias’ bem como para suas liberdades.Em relação a nós, agiram como uma potência colonial”, insiste Khalid H. Ghareeb, organizador da livraria do café dos intelectuais. “Se tiverem muito poder no futuro governo, os xiitas farão a mesma coisa. A única solução para os curdos seria terem seu próprio país.”

 

Realismo político

Ao longo dos últimos meses, formou-se um movimento pelo plebiscito. Sua petição, assinada maciçamente, reivindica o direito dos curdos à autodeterminação. Mas o realismo político preconizado pelos chefes curdos Talabani e Barzani segura seus partidários. “Nenhum de nossos vizinhos suportaria hoje um Curdistão iraquiano independente”, explica Rezza Ahmed, um comerciante que vende bombons e tem porte de atleta. “Nós ficaríamos imobilizados em nossas montanhas. Um Iraque unificado e democrático seria a melhor coisa por enquanto.”

Mossul, a grande cidade do norte, próxima da Síria e da Turquia, funciona como teste para medir a disponibilidade dos curdos e dos árabes para construírem juntos o Iraque. A cidade reuniria cerca de 40% de curdos, 10% de turcomanos e 50% de árabes. A maioria dos oficiais militares do antigo exército iraquiano é originária dessa cidade, onde o antigo regime tinha profundas raízes políticas e clânicas.

“Os árabes realmente nos trataram muito mal”, resume Omar Azzo, curdo, professor de inglês, membro da UPK e que acaba de voltar à sua cidade natal, de onde tivera que fugir no ano 2000. Segundo ele, os árabes apoiaram o regime de Saddam Hussein até a década de 80. Depois, a guerra contra o Irã, a do Golfo em 1991, bem como a política repressiva por todo lado, mudaram progressivamente a situação. Muitos deles, que também passaram a ser perseguidos, tiveram que fugir e alguns se refugiaram no Curdistão. “Nós os ajudamos humanamente e financeiramente. É tudo isso que torna possível, hoje, a aliança entre árabes e curdos.”

 

Renascimento político

Mossul, a grande cidade do norte, próxima da Síria e da Turquia, funciona como teste para medir a disponibilidade dos curdos e dos árabes para construírem juntos o Iraque

Com mais ou menos 60 anos, rosto redondo, pouco cabelo e boca desdentada, Kairy Hassan é presidente do Partido do Bem-estar, um dos inúmeros partidos árabes que participa - com os partidos curdos, turcomanos e cristãos assírios - do renascimento político da cidade. Árabe sunita, professor, participou, no início da década de 50, da fundação do Ba’ath: “Nós queríamos construir um novo partido popular para servir o povo”. Diante do crescimento do poder de Saddam Hussein e de seu clã, ele entrou no Ba’ath pró-sírio e acabou sendo preso em 1969. Perdeu seus dentes na tortura. “A existência dos curdos, as diferenças étnicas do país, não hipotecam a unidade do Iraque”, lança ele. “Foi a direção do Partido Ba’ath que criou o problema dirigindo sua violência contra os povos.”

Hassan encontrou Talabani pela primeira vez em 1998, na região de Suleymanieh, onde foi por seis vezes. “Fiz o trajeto a pé, de carro e até montado num burro. Era muito perigoso e, uma vez, quase fui morto por uma unidade iraquiana”. Ele assegura que a UPK “não quer a independência do Curdistão. Seus líderes dizem que os curdos fazem parte do povo iraquiano”. Hassan é partidário de um Iraque unificado, que de modo algum leve em consideração as diferenças entre curdos, árabes, turcomanos: “O Iraque para os iraquianos.”

Mas as forças de ocupação da região – a 101ª divisão aerotransportada – não propiciam essa dinâmica. O comandante David H. Petraeus confiou o cargo de governador ao ex-general Ghanem Al-Basso, dignitário do Ba’ath até 19932 . Uma parte importante do ex-governo ba’athista teria continuado dentro de suas relações mais próximas.

 

Disputa por Kirkuk

Vítimas da política de arabização do regime, os curdos, como os turcomanos, têm, segundo ele, “um inalienável direito ao retorno” a Kirkuk

Ora, desde sua libertação, Kirkuk estava coberta de bandeiras curdas - vermelho-verde-branco - e banhada pelo sol faiscante. “Não somos contra os árabes”, garante Muhamad Karim Rasul, de 50 anos de idade e dono de um restaurante. “Queremos viver com eles. Mas, no Iraque do futuro, nós, os curdos, não aceitaremos menos que o federalismo. Teremos nossa região autônoma, com Kirkuk como capital.”

Bigode e cabelos castanhos, olhar direto atrás dos óculos redondos e armação dourada, o novo governador de Kirkuk, Abdull Rahman Mustafa Fata, também é curdo. Dedica uma boa parte de seus esforços a desarmar qualquer querela étnica. “Curdos, árabes, turcomanos, assírios: devo representar todo mundo”, esclarece ele. Há também esta frase: “Nós esperamos conseguir aqui o que a Iugoslávia não conseguiu: fazer viverem juntos povos diferentes.”

“Kirkuk, Kirkuk, coração do Curdistão!” Levados pela UPK e pelo PDK, milhares de curdos desfilaram, no entanto, no dia 22 de dezembro de 2003, pelas ruas da cidade. A partir do dia seguinte, no campus da universidade, brigas opunham estudantes árabes e turcomanos aos jovens curdos que se recusavam a ver hastear a bandeira iraquiana. Uma contramanifestação árabo-turca, no dia 31 de dezembro, acabou virando um confronto diante da sede da UPK, deixando pelo menos seis mortos. Uma estranha manifestação que reunia saudosos de Saddam Hussein vindos dos vilarejos “arabizados” próximos da cidade e agitando retratos do ditador, representantes do movimento xiita radical do aiatolá Motassadeq Al-Sadr e as tropas da Frente Turcomana Iraquiana, uma organização teleguiada por Ancara e contestada nas fileiras turcomanas.

 

Rumo ao federalismo

Em Bagdá se negocia o status do Iraque de amanhã. No interior do Conselho do Governo Provisório, dominado pelos curdos e pelos xiitas, o federalismo já é coisa certa

Secretrário-geral do Partido Popular dos turcomanos iraquianos e vice-governador de Kirkuk, Erfa Irafan Karkukli enfatiza, aliás, que ele não tem “nada a ver com a Frente. Sabe-se, aqui, que uma família turcomana vivia melhor na região curda autônoma, nesses últimos dez anos, do que em Kirkuk, sob o controle de Saddam”. Vítimas da política de arabização do regime, os curdos, como os turcomanos, têm, segundo ele, “um inalienável direito ao retorno” Quanto aos árabes vindos do Sul para ocupar suas casas e suas terras, “eles deverão voltar para lá”. Kirkuk voltaria a ser então, incontestavelmente, uma cidade com maioria curda e turcomana.

Mas é em Bagdá que se negocia o status do Iraque de amanhã. No interior do Conselho do Governo Provisório, dominado pelos curdos e pelos xiitas, o federalismo já é coisa certa. Contudo, duas concepções se opõem. Uma se baseia na concepção de um Estado nacional iraquiano formando uma federação de regiões com fronteiras geográficas e administrativas - um sistema similar ao dos Estados Unidos ou da Alemanha. O outro, se refere a um federalismo que reúne diferentes povos ou etnias, inspirado no sistema suíço, canadense ou britânico. É o único que tem o apoio dos chefes curdos.

O Curdistão autônomo seria, então, para o Iraque “o que a Escócia é hoje para a Grã-Bretanha4 .” Na ausência de um acordo sobre esse ponto, o nacionalismo curdo redobrará seu ardor. “Enfrentamos a prova mais difícil que já tivemos”, enfatiza Ahmed Bamarni que, durante muito tempo, representou a UPK em Paris. “E muito raros são aqueles que desejam nosso sucesso.”

 (Trad.: Iraci D. Poleti)

 

 

Fonte: http://diplo.uol.com.br/2004-03,a876



 Escrito por Professor Paquito às 18h09
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Compare este mapa com o anterior sobre clima...
e veja como se relacionam


 Escrito por Professor Paquito às 18h19
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Cuidado, com certeza este assunto estará nos Vestibulares este ano,

 e se bobear poderá ser tema de redação na Unicamp!



 Escrito por Professor Paquito às 23h56
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Inaugurado!!!

Blog ndos professores DDDs, uma idealização minha e com colaboração de amigos inseparáveis, visitem!

www.professoresddds.blogspot.com



 Escrito por Professor Paquito às 15h45
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